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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Defender abusos cometidos pelo ICE...

 


Imagem:- Google

Defender abusos cometidos pelo ICE não é uma posição neutra. É aceitar que o Estado pode ultrapassar limites básicos de dignidade humana quando lhe convém. É fechar os olhos para práticas que já foram amplamente denunciadas por organizações de direitos humanos, jornalistas e até ex‑funcionários que testemunharam violações graves. Quando alguém normaliza isso, está dizendo — mesmo que não perceba — que certas vidas são descartáveis.

Algumas pessoas tentam justificar dizendo que “é para proteger o país”. Mas segurança nunca exigiu humilhação, violência ou separação de famílias. Quando um governo precisa recorrer à crueldade para administrar imigração, o problema não está nos migrantes — está no sistema e em quem o apoia sem questionar. A história mostra que toda vez que uma sociedade aceita abusos em nome da ordem, ela abre mão de parte da sua própria humanidade.

Migrantes não são números, nem ameaças abstratas. São pessoas que atravessam fronteiras porque a alternativa é fome, violência ou morte. Tratar essas pessoas como criminosos perigosos por existirem no lugar “errado” é uma distorção profunda de valores democráticos. E defender abusos contra elas não é defender a lei — é defender a brutalidade.

No fim, quem apoia esse tipo de prática precisa encarar uma verdade desconfortável: não se trata de política, mas de empatia. Se alguém acha aceitável que seres humanos sejam maltratados, o que está em jogo não é imigração, é a capacidade de reconhecer humanidade no outro. E isso diz muito mais sobre quem defende os abusos do que sobre quem sofre com eles.

Quando alguém defende abusos cometidos pelo ICE, o que está realmente dizendo é que certas vidas valem menos. Não existe “excesso justificável” quando falamos de seres humanos. Tratar pessoas como números, ameaças ou problemas administrativos é exatamente o tipo de lógica que historicamente abriu espaço para atrocidades. E repetir isso hoje, em pleno século XXI, não é opinião — é cumplicidade.

Se alguém realmente acredita que abusos são aceitáveis, o problema não está na imigração. Está na incapacidade de reconhecer humanidade no outro. E isso, sim, deveria preocupar qualquer sociedade que se diz democrática.



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